Meditação

O que é meditação?

Em uma definição bem genérica, meditar seria uma forma controlada de pensar. Decidir exatamente como se deseja direcionar a mente em um período de tempo, e então colocar isso em prática. Na teoria pode parecer muito fácil, mas na prática tudo muda. A mente humana não é um animal domesticado; muito pelo contrário, parece ter uma mente própria, que ultrapassa a vontade daquele que pensa. Qualquer pessoa que já tenha tentado concentra-se em um assunto, e logo vê sua mente vagando em direção a outros. À vezes, parece que quanto mais tentamos controlar nossos pensamentos mais eles se recusam a ser controlados.

Dois exercícios bem simples para demonstrar seriam:

1) Pare de pensar. Esse primeiro exercício é tomar consciência dos nossos pensamentos, tentando interrompê-los. Tente esvaziar sua mente por alguns minutos e não pensar em absolutamente nada. Parece fácil ? Tente. Por quanto tempo conseguiu parar de pensar ? A menos que você seja muito especial, ou já tenha tudo alguma experiência com meditação, é bem provável que só tenha conseguido esvaziar a mente por alguns segundos. Na prática, é extremamente difícil “desligar” os pensamentos. O controle sobre o pensamento é uma das metas de algumas práticas de meditação.

2) Controle a sua mente. Esse segundo exercício evoca uma imagem no olho da mente. Por exemplo: Feche os olhos. É bem provável que você veja luzes ou flashesde imagens. Procure ficar relaxado e verá que esses flashes de luzes irão se fundir, adquirindo a forma de um caleidoscópio no olho da mente. Essas imagens surgirão e mudarão espontaneamente, com pouco ou nenhum controle da mente consciente. Uma imagem flui em direção a outra, enquanto outra aparece e se desenvolve. É praticamente impossível concentrar-se nessas imagens criadas pela mente porque, ao tentarmos, elas desaparecem. Portanto, evocar uma imagem no olho mente e retê-la é conhecida na meditação judaica como “gravação”. A imagem fica retida na mente como se estivesse gravada nela, de modo que é possível retê-la na mente pelo tempo desejado.

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Figura: Meditar é uma forma de controlar a mente

Fonte: internet

Através desses exercícios percebe-se que a mente possui uma “mente própria”. É como se existissem duas partes da mente, uma sobcontrole da nossa vontade (consciência), e outra fora desse controle (inconsciente ou subconsciente). Uma vez que o subconsciente foge ao controle da vontade, não é possível controlar o que ele passa para a mente consciente. Uma das metas da meditação é adquirir controle sobre a parte subconsciente da mente. Consegui-lo é adquirir um grau elevado de autodomínio. O próprio processo de pensamento também é controlado em grande parte pelo inconsciente. Quando estamos relaxados, sem atentar para o fluxo da mente, passamos de um pensamento a outo sem esforço consciente.

Um dos benefícios mais poderosos conseguidos com a meditação é o controle sobre a mente inconsciente. Pode-se aprender a utilizar a mente consciente para controlar processos mentais que, geralmente, estão sob o controle do inconsciente. Passo a passo, o inconsciente vai se tornando acessível à consciência, permitindo à pessoa adquirir controle sobre todo o processo do pensamento.

Por que meditar?

A meditação oferece muitos benefícios. A maioria das pessoas aprende a pensar ainda muito criança e, ao longo da vida adulta, não o faz de forma diferente; ou seja, a maioria das pessoas usa a mente de um modo que não difere muito de como o fazia aos 6 anos de idade. Com a meditação, a pessoa consegue obter controle sobre o processo do pensamento, aprendendo a pensar de novas formas, e assim vivenciar experiências mentais diferenciadas e mais ricas.

Outro benefício importante da meditação é aumentar a atenção e a percepção. Quanto maior for a parte da mente concentrada em determinada experiência, tanto maior será a vivência dessa experiência.

Uma outra maneira é a consciência expandida e que pode ser usada de várias maneiras. Pode-se usar a meditação para obter consciência maior e mais clara do mundo circundante. Ao olhar para algo como uma rosa, em um estado de consciência meditativo, pode-se ver nela muito mais do que se veria normalmente. Diz-se que todo o universo bem pode ser visto em um grão de areia. Em um estado meditativo bem elevado, essa afirmativa é realmente possível. À medida que aumenta a capacidade de concentração, toma-se consciência dos fenômenos sutis que, de outra maneira, não seriam detectáveis. Assim, o mundo do meditante pode se tornar muito mais rico em comparação ao de pessoas que desconhecem essa experiência. Por exemplo: a leitura em braile é um bom exemplo de uma experiência quie não tem sentido para uma pessoa destituída dessa sensibilidade, mas apresenta um mundo de significados para a pessoa sensível a ela. Existem muitas dessas experiências no mundo, e a meditação pode nos ensinar a “ler” essas mensagens. Em um nível mais esotérico, na medicina tibetana, como também na Cabala, inúmeras doenças são diagnosticadas tão somente pela tomada do pulso. As diferenças sutis na percepção tátil e no ritmo do pulso oferecem, ao médico experiente, o quadro do estado de saúde do corpo com uma acuidade fantástica.

Outro objetivo da meditação é o de sintonizar a mente com determinadas Verdades. Quando uma pessoa tenta explorar questões como o sentido da existência, o real objetivo da vida, a natureza última da realidade, as respostas permanecem evasivas, apenas “roçando” a mente, sem se aprofundar. As possíveis respostas pairam na fronteira da consciência, mas são sutis que não são percebidas devido à estática mental. Uma dessas verdades é o conhecimento do self. Geralmente, vemos a nós mesmos apenas através do tênue véu do ego. Por essa razão é impossível nos vermos tal como os outros nos veem. Por meio da meditação, somos capazes de remover o véu do ego e ver a nós próprios com certo grau de objetividade. Assim, podemos olhar para nós mesmos objetivamente, como se fôssemos uma terceira pessoa. Tornamo-nos capazes de enxergar nossas próprias limitações, superá-las e também fortalecer o ego, quando necessário.

Um dos usos mais potentes da meditação reside em alcançar uma consciência do espiritual. Embora possamos estar cercados por um mar de espiritualidade, não somos, em geral, conscientes dele. As sensações espirituais são muito difusas, obscurecidas pelomundo dos sentidos. No entanto, quem é capaz de aquietar os pensamentos indesejáveis pode, enfim, entrar em sintonia com o espiritual. Essa sintonia é conhecida como experiência mística.

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Figura: A meditação pode levar à experiência com Deus

Fonte: internet

Em seu nível mais elevado, a meditação pode levar à experiência com Deus. Nossa experiência espiritual de Deus é frequentemente esmaecida elo ego e pelo antropomorfismo, de modo que tendemos a ver Deuscomo uma imagem de nós mesmos, como num espelho. Ao liberar a mente desses obstáculos, a meditação ajuda a abrir nossas mentes por inteiro para a experiência de Deus. Em muitas tradições religiosas, inclusive o judaísmo, este é o maior objetivo da meditação.

Quais são as práticas de meditação ?

Segundo Kaplan (2010), os tipos de meditação são: contemplação, visualização e O Nada.

A contemplação é mais um tipo simples de meditação. Esta consiste em sentar-se e concentra-se em um objeto, palavra ou ideia, deixando-os preencher a mente. Trata-se de uma excelente forma introdutória de meditação já que não requer nenhum conhecimento de meditação nem conhecimentos profundos de hebraico ou do judaísmo. As técnicas são as mesmas da meditação mântrica, a não ser pelo fato de que a experiência é mais visual que verbal. A contemplação simples consiste em fixar a vista num objeto por determinado período de tempo. Como em todas as formas de meditação, deve-se procurar uma posição a mais confortável possível. Podem-se piscar os olhos, se assim for mais confortável. Devem-se manter os olhos fixos no objeto de contemplação da forma mais agradável possível. O objeto de contemplação poderá ser qualquer coisa – uma pedra, uma folha, uma flor ou algum texto. Contudo, devem- evitar imagens, fotografias ou estátuas, pois isso já se situaria em um limiar perigoso entre a contemplação e a idolatria.

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Figura: Contemplação – concentre-se em algo

Fonte: internet

A visualização é uma importante prática em meditação para aprender a controlar as imagens quando vêm à mente quando estamos de olhos fechados. Para iniciar a prática meditativa da visualização, feche os olhos e relaxe, deixando que as imagens se acalmem no olho da mente. Depois que o campo visual estiver relativamente sereno, pode-se começar a tentar visualizar a uma letra – álef. Você pode escrever a letra em um cartão e procurar definir sua imagem na mente. Em seguida, feche os olhos e tente visualizar a letra. Tente enxergá-la com os olhos fechados da mesma forma que a enxerga com os olhos abertos. A habilidade em praticar esse exercício varia de pessoa. Algumasconseguem visualizar logo na primeira tentativa, enquanto outras levam semanas até conseguir visualizar a letra (…). Com o tempo e a prática, você desenvolverá a habilidade de reter a imagem de forma clara e precisa no olho da mente por períodos mais longos. Ao conseguir isso, você terá percorrido um longo caminho no controle dos processos mentais.

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Figura: Visualização – controle as imagens em sua mente

Fonte: internet

O Nada é uma prática de meditação bastante avançada. O Nada não encontra um correspondente no mundo real; logo deve-se ser capaz de criar uma percepção do Nada na mente. Trata-se de uma técnica útil para atingir a proximidade com Deus e alcançar uma realização do self.Como ocorre com outras técnicas avançadas, esta também pode ser extremamente perigosa. O meditante nunca deve praticá-la sozinho, pois pode ser “tragado” pelo Nada e não conseguir retornar. Portanto, esse tipo de meditação deve ser feito sempre em companhia de um companheiro ou de um mentor espiritual. O Nada é um espaço puro, completamente vazio, transparente, sem qualquer cor como pano de fundo. Pode-se imaginar estar olhando um cristal puro e incolor, cuja transparência se estendesse até o infinito. Pode levar anos até que se consiga visualizar perfeitamente o Nada. Não é uma prática fácil. Contudo, depois que a pessoa consegue uma boa imagem do Nada, ela pode utilizá-la como uma técnica de visualização poderosa. De todas as imagens possíveis de ser visualizadas, o Nada é a mais pura.

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Figura: O Nada – O caminho entre o Homem e Deus

Fonte: internet

Podemos trabalhar em um numero grande de práticas no decorrer dos anos, e assim, crescer continuamente tanto espiritual como moralmente Podemos remodelar a nós mesmos, transformando-nos na pessoa boa e honrada que sempre desejamos ser. O lugar onde estamos não é mais importante do que o lugar para onde estamos indo. Se estivermos dispostos a devotar a nossa vida ao crescimento contínuo, praticamente não há limites para os níveis que podemos alcançar.

Fonte: KAPLAN, A. Meditação judaica: um guia prático. São Paulo: Ágora, 2010.